Castrolanda: Soja: Abrange aposta no aumento de área sem transgenia
Postada em 27/01/2012 - 16h46
Soja: Abrange aposta no aumento de área sem transgenia
Brasília, 27 - A Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) está animada com a perspectiva do aumento da área cultivada com soja livre de transgenia. Ivan Paghi, diretor técnico da Abrange, se diz surpreso com o fluxo de pessoas no estande que a entidade montou na feira de exposição Showtec, que termina hoje em Maracaju (MS).

Paghi conta que de cada dez produtores que visitam o estande, sete plantam soja convencional. Ele se diz surpreso porque o trabalho da Abrange para divulgar o programa "soja livre" em Mato Grosso do Sul não está tão avançado como no vizinho Mato Grosso, onde em algumas regiões até 40% do plantio é de material não-transgênico, como na oeste e na BR 163. Pelas estimativas da Abrange, nesta safra em Mato Grosso a média é de 70% de soja transgênica e 30% de convencional.

O técnico aposta no potencial de crescimento do plantio de soja convencional, em função de os custos estarem empatados com os dos materiais transgênicos por causa da resistência de plantas invasoras como a buva e o capim amargoso ao glifosato. Isso obriga os agricultores a complementar o controle destas pragas com o uso de outros herbicidas. Ele diz que com o cultivo do milho safrinha resistente ao glifosato, as plantas que rebrotarão após a soja ser semeada também terão que ser combatidas com herbicidas específicos.

A Abrange calcula que em Mato Grosso do Sul atualmente 85% da soja cultivado é de sementes geneticamente modificadas. Ivan Paghi prevê que a área de convencional deve crescer na próxima safra, principalmente em Maracaju, onde a previsão é de aumento entre 10% a 15%. A tendência, diz ele, é de expansão da soja livre até 30% da área cultivada no Estado.

Além do fato de o custo de produção já não ser tão favorável aos transgênicos, outro fator que anima os produtores a retornar para a soja convencional é a rentabilidade. Os agricultores em Mato Grosso do Sul nesta safra estão recebendo prêmios de R$ 3/saca pela soja convencional e contam com compradores importantes como a Sadia e a Coamo, além de indústrias do Rio Grande do Sul.

O técnico da Abrange afirmou que os relatos dos produtores de Mato Grosso do Sul são de produtividades acima de 65 sacas para os materiais genéticos convencionais desenvolvidos pela Embrapa. Segundo ele, nos trabalhos de campo da Fundação MS a variedade BRS 284 da Embrapa registra produtividade de 74 sacas nos últimos três anos.

Paghi faz as contas e conclui que hoje para o agricultor é mais vantagem optar pela soja livre de transgenia. Ele diz que no caso de uma área de mil hectares o produtor que cultiva transgênico paga R$ 24 mil de royalties ao detentor da patente da planta, considerando a colheita de 60 mil sacas (60 sacas por hectare). Ao prêmio de hoje de R$ 3/saca, o produtor de soja convencional que cultiva mil hectares e produz 60 sacas por hectare recebe adicional de R$ 180 mil e ainda deixa de gastar os R$ 24 mil de royalties, o que representa um ganho de R$ 204 mil em relação aos transgênicos, diz o técnico.

Fonte: Agência Estado


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